23/02/2015

O grande desafio é reduzir os custos sistêmicos e aumentar a produtividade

Quais os principais desafios para melhorar o desempenho da indústria nacional?

O Brasil tem avanços importantes a registrar nos últimos anos: a democracia consolidou-se, a sociedade civil é mais forte, reduzimos nossas desigualdades sociais e milhões de brasileiros ampliaram a renda e o consumo, com um impacto positivo na nossa economia. Mas, mesmo com as iniciativas importantes como o Plano Brasil Maior, que contemplou medidas importantes como a desoneração da folha de pagamento e uma compensação para o setor exportador (Programa Reintegra), persistem algumas deficiências que precisamos enfrentar. São deficiências na capacitação do capital humano e na qualidade da infraestrutura e inadequações na governança regulatória, seja por excesso de procedimentos burocráticos ou ausência de marcos legais. Tudo isso desestimula o desenvolvimento das atividades produtivas, reduz a nossa produtividade e nos torna menos competitivos. São pontos que ainda persistem, e o governo da Presidenta Dilma se reinaugura com o compromisso de dar respostas a esses desafios.

A experiência acumulada como presidente da CNI pode contribuir nessa missão de alavancar a produção da indústria?

Com certeza, isso facilita a elaboração, discussão e efetivação de políticas para o setor. Como presidente da CNI, tive a oportunidade de me aprofundar em temas que compreendem os problemas, as vantagens e os potenciais da indústria brasileira, assim como suas características setoriais e regionais. Em um país com proporções continentais como Brasil, esse conhecimento é fundamental e vou colocá-lo agora a serviço das políticas públicas que possam alavancar o desenvolvimento do País, da sua indústria e do seu comércio exterior.

Na avaliação do senhor, qual o principal entrave para aumentar a competitividade da indústria?

O principal entrave é que o nosso setor produtivo tem se defrontado com um preocupante descompasso entre a elevação de custos e o crescimento da produtividade. Por isso, o grande desafio é reduzir os custos sistêmicos e aumentar a produtividade. Temos que buscar a construção de um ambiente econômico e institucional alinhado com as melhores referências internacionais, de modo que o País possa crescer e competir em uma economia mundial cada vez mais integrada e exigente.

Na posse, o senhor disse que pretende estimular as exportações. Como isso será feito?

Como destaquei em meu discurso, não há política industrial sem uma política ativa de comércio exterior porque são duas faces da mesma moeda. Por isso, é muito preocupante o descompasso entre o tamanho de nossa economia e as exportações. Somos o 7º PIB mundial, mas apenas o 22º país no ranking de exportadores, com participação de 1,2% no total exportado em todo o mundo.

A partir desse cenário, anunciei que estamos elaborando um plano nacional de exportação para conseguir criar uma agenda positiva, que confira um novo status ao comércio exterior. A política irá contemplar medidas focadas na superação de entraves relacionados a financiamento, garantias e desoneração de exportações e facilitação de comércio. Por isso, iremos priorizar o Portal Único do Comércio Exterior, ferramenta para agilizar, simplificar e dar transparência aos procedimentos de importação e exportação.

Outra ação prevista, junto com o Ministério de Relações Exteriores, é a ampliação de acordos comerciais com parceiros estratégicos, em especial Mercosul, EUA, China e países da América do Sul. Esse plano, que terá ampla participação do setor privado e visão integradora das diversas regiões do país, está sendo apresentado e negociado com as outras áreas de governo e será divulgado em março.

Como será a atuação do senhor para alavancar as indústrias de Estados do Centro-Oeste?

A indústria da Região Centro-Oeste também enfrenta esse momento delicado do parque industrial nacional, que vem diminuindo sua participação relativa na economia brasileira e perdendo espaço no mercado doméstico e internacional. Desde 1985 até os dias atuais, a participação da indústria de transformação declinou de 25% para menos de 14% do PIB.

É claro que é necessário considerar as particularidades regionais e setoriais na hora de definir políticas para aumento da competitividade e isto está sendo pensado por mim e pela equipe técnica do MDIC. Assim como o plano nacional de exportação, que está em fase de elaboração, também estamos definindo uma série de medidas de estímulo ao aumento da competitividade da indústria nacional.

Em busca da melhora do ambiente tributário, queremos apresentar um conjunto de reformas microeconômicas de impacto fiscal reduzido, com o objetivo de desburocratizar processos e garantir segurança jurídica a investidores. A renovação do parque fabril é outro ponto a ser trabalhado porque precisamos diminuir a idade média das máquinas e equipamentos em operação no Brasil. Nesse caso, a ideia do Governo é ampliar ao acesso ao financiamento por pequenas e médias empresas.

O estímulo à inovação é outro ponto fundamental para o incremento da competitividade brasileira. Temos que aprimorar o marco legal, ampliar o financiamento e aumentar a integração e sintonia entre as políticas de inovação industrial, além de aumentar o número de empreendedores com acesso a fontes de fomento. Para completar essa agenda positiva, também é fundamental aumentar o diálogo entre Governo e empresários. Essas são medidas gerais que, com alcances diferentes, também irão beneficiar as indústrias da Região Centro-Oeste.

Como o senhor acredita que as Federações das Indústrias podem contribuir com a retomada do crescimento do setor?

O MDIC terá que estabelecer novos padrões de articulação e cooperação entre atores empresariais, governamentais e políticos. Em relação à iniciativa privada, iremos revitalizar e fortalecer os canais institucionais de representação empresarial, como os conselhos consultivos. Um exemplo é o Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI), que foi reativado e já teve sua primeira reunião dia 9 de fevereiro. Essa iniciativa prestigia a interlocução com o setor privado, que é o grande protagonista desse processo. Tenho afirmado que o MDIC deve vocalizar, no âmbito do governo, as demandas e preocupações do setor produtivo e espero contar com a parceria das Federações das Indústrias, para que possamos também compartilhar as dificuldades, mas sobretudo, o encaminhamento de soluções para o desenvolvimento da indústria brasileira.

 

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23.02.2015

Edição 72

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